04/06/2020 às 10:52

Amapá tem o pior saldo de empregos no mês de Abril após vinte anos

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Na última semana de maio, o Ministério da Economia divulgou pela primeira vez em 2020 o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Os dados apontam por região a quantidade de admissões e desligamentos que ocorreram no mês de Abril. Ao todo foram 860.503 mil postos de trabalhos fechados em todo o país, desses, 805 foram no Estado do Amapá. Em Março a quantidade de vagas desocupadas, a nível nacional, chegou aos 240.702 mil, esses foram os primeiros efeitos econômicos provocados pela pandemia do novo coronavírus.

Entre os setores que mais demitiram no Amapá, o comércio e serviços foram responsáveis por 534 das vagas desocupadas, isso corresponde a 66% do saldo total negativo. Em seguida, destaca-se a construção civil com 149 postos a menos e serviços industriais de utilidade pública, com 46. Indústria de transformação, agropecuária e extrativa mineral correspondem a 36, 32 e 8 respectivamente.

Em Abril do ano passado o saldo foi positivo no Estado, com 227 novas admissões, sendo que o comércio foi o responsável por 118 dessas vagas. Na evolução desse mês, ao longo dos últimos 20 anos, 2020 indica o ano com o pior resultado. O fechamento da atividades comerciais é o fator principal para essa redução brusca, de acordo com a economista da Fecomércio Amapá, Beatriz Cardoso. “O comércio é muito grande e ele é composto por muitos segmentos, desses pouquíssimos foram considerados essenciais nesse momento”, disse Beatriz.

Para a economista, a taxa de desocupação tem efeito cascata, influencia não só a situação econômica como a social. Ela afirma ainda que essas pessoas além de perderem o emprego e renda, perdem também o poder de compra. “As famílias já não vão consumir os serviços e produtos que o comércio oferece. Do ponto de vista social, nós observamos que quanto mais desempregados, maior é o custo inclusive para o próprio governo, porque esses indivíduos vão depender de auxílios, vão entrar no mercado informal para tirar a própria subsistência”, afirma Beatriz.

Com mais de setenta dias desde que as atividades econômicas foram suspensas, o comércio espera pela abertura gradual e com isso a expectativa do retorno do emprego de muitos trabalhadores que atuam nesse setor.  

 

Por Michelle Silva - Jornalista Fecomércio AP